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Biografia de
Santo Efrém de Siria

(../../306 - 09/06/373)

« Doutor da Igreja »

Segundo seus atos, nasceu sob o governo de Constantino, em Nisibe. Seu pai era sacerdote do ídolo Abnil. Como, desde a infância, demonstrasse inclinação para a religião cristã e horror pela idolatria, seu pai bateu-o cruelmente e depois expulsou-o de casa. Refugiou-se com o Bispo São Tiago, que lhe dedicou afeto e o incluiu no número dos catecúmenos. Efrém não progrediu menos na virtude, do que na instrução. Sua humildade era tão grande que, tendo sido acusado de um crime, cometido por outro, suportou por muito tempo a confusão pública, sem nada dizer, e só fez por fim conhecer sua inocência, pelo temor de se tornar culpado de escândalo. Uma virtude tão heróica lhe atraiu a veneração de todo o mundo. São Tiago tinha por ele tal estima que o levou, apesar da juventude, ao concilio de Nicéia, para lá combater o erro dos arianos. Quando em 350, a cidade foi sitiada por Sapor, rei dos persas. São Tiago e Santo Efrém foram-lhe os salvadores.

São Tiago, de Nisibe, morreu pouco depois e seu discípulo Efrém abraçou a vida monástica nos arredores de Edessa. Sua morada era uma caverna: aplicava-se à leitura e à meditação dos livros santos. O velho solitário que lhe servia de diretor, encontrou-o um dia, quando terminava de escrever seu Comentário sobre o Gênesis. Tendo-o lido, ele o levou, sem nada dizer, aos magistrados, aos professores e aos padres de Edessa. Estes ficaram maravilhados e felicitaram o velho. Ele lhes disse que era obra do monge Efrém. Então todo o mundo quis vê-lo. Depois de diversos incidentes, estabeleceu-se na cidade e, ensinando e escrevendo contra diversas heresias, em particular contra os maniqueus, os arianos e os sectários de Bardesane. Para popularizar os erros de seu pai, Harmônio, filho de Bardesane, tinha-os posto em verso e em música. Para refutar esses erros, dar a conhecer e amar a doutrina católica, Efrém pô-los em verso ainda mais belos e numa música também ainda mais bela. Ele mesmo ensinou as virgens cristãs, em siríaco as filhas da aliança, a cantar aqueles cânticos, na assembléia dos fiéis. E hoje, os cristãos da Síria cantam-nos ainda. Á ciência do doutor, à graça do poeta, Efrém unia a fé mais viva e a alma mais sensível. Muitas vezes, no meio de suas pregações, era obrigado a interrompê-las para deixar correr suas lágrimas e as do auditório.

No ano 370 foi inspirado a visitar São Basílio. Tendo-o encontrado na Igreja de Cesaréia, explicando a seu povo a palavra de Deus, não pôde deixar de lhe manifestar publicamente seus louvores: o que fez alguns da assembléia dizerem: Quem é esse estrangeiro, que louva assim o nosso Bispo? Adula-o, para dele receber algum donativo. Mas depois de terminada a assembléia, São Basílio, conhecendo por inspiração quem era ele, fez-lo chamar e perguntou-lhe por um intérprete, pois Santo Efrém não sabia grego: Sois Efrém, que vos submetestes tão bem ao jugo do Salvador? Ele respondeu: Eu sou Efrém, que corro, por último, na carreira celeste. São Basílio abraçou-o, deu-lhe o ósculo santo, e o fez tomar a refeição com ele; mas o banquete principal foi exclusivamente de discursos espirituais. Ele lhe perguntou o que o tinha levado a louvá-lo assim em voz alta. Foi, disse Santo Efrém, que eu vi sobre vosso ombro direito, uma pomba de uma alvura maravilhosa, que vos parecia sugerir tudo o que dizíeis ao povo. São Basílio morreu em 379 e Santo Efrém ficou muito triste, sobrevivendo-lhe, porém, pouco tempo; para acalmar a dor compunha, em louvor do amigo, poemas e hinos. Depois de ter por muito tempo, vivido no repouso da solidão, edificando com suas palavras os que lá encontrara antes da morte, deixou a cela, para vir assistir os pobres da cidade de Edessa, durante a carestia. Não os podendo aliviar com os bens, porque nada possuía, excitava a compaixão dos outros, com as insistentes e contínuas exortações. Os ricos deram-lhe dinheiro e ele mandou dispor mais ou menos trezentos leitos nas galerias públicas para alojar os pobres, quer da cidade, quer dos campos. Cuidava de suas necessidades, assistia aos doentes, sepultava os mortos, não tendo menos cuidado de alimentar a alma, que o corpo daqueles que tinham recorrido a sua caridade. Passou um ano nesse exercício, até que a abundância de trigo chegou e ele voltou à cela, onde morreu depois de um mês, após alguns dias de enfermidade. Ao morrer fez um discurso aos habitantes de Edessa que estavam presentes, no qual lhes proibiu sepultá-lo com pompa, prestar-lhe as honras que se prestam aos santos, conservar seus hábitos como relíquias, enterrá-lo sob o altar, nem mesmo em qualquer lugar da igreja, mas no cemitério comum. Recomendou-lhes, por outro lado, com grande cuidado, fazer esmolas por ele, orações e ofertas, particularmente no trigésimo dia.

Foi declarado doutor da Igreja em 5 de maio de 1920 pelo papa Benedito XV.

.Fonte: Pe. Rohrbacher, Vida dos santos, tomo XII.
.Obs: foram feitos alguns acréscimos necessários.

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